Resumo
A Organização Mundial da Saúde, em 2019, estimou que 4,2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a serviços de saneamento seguros. O contexto não é muito diferente no Brasil, onde apenas 55,8% da população brasileira tem acesso ao serviço de esgotamento sanitário e 55% do esgoto gerado no país sofre algum tipo de tratamento. Diversas tecnologias de tratamento dos recursos hídricos destinados à recuperação e manutenção das características físicas, químicas e biológicas têm sido difundidas. E ao considerar a importância da sustentabilidade, uma tecnologia que vem se destacando são os sistemas de Wetlands Construídos. O objetivo desta pesquisa foi avaliar a viabilidade do tratamento de águas cinzas por meio de um sistema de wetlands construídos de fluxo subsuperficial vertical, em escala de bancada, com leito filtrante misto (conchas marinhas e tijolos cerâmicos), cuja composição vegetal utilizada foi a macrófita nativa Echinodorus subalatus. No experimento a princípio duas unidades wetlands construídos (WC-1 e WC-2) foram alimentadas com água cinza sintética em ciclos de 7 dias objetivando, primeiramente, avaliar a remoção de matéria orgânica (DQO) em relação a diferentes proporções de concha dos leitos filtrantes. E depois a remoção relacionada à presença/ausência de vegetação. O sistema apresentou resultados satisfatórios, nos parâmetros de DQO, SST e Fósforo, com eficiência de remoção de 92,6 ± 3,1%, 82,5± 6,2% e 37,7 ± 11,3%, respectivamente, e insatisfatória na remoção de N-amoniacal, apenas 17,3 ± 20,1%, com diferenças significativas entre as fases vegetada e não vegetada (2,3 ± 16% e 32,4 ± 9,7%). Nos demais parâmetros analisados a presença/ausência de vegetação não foi um fator diferencial estatisticamente significante
