Resumo
O soro de queijo, um resíduo rico em compostos orgânicos e nitrogenados, de elevado potencial poluidor, produzido em grandes quantidades pela indústria de laticínios, foi empregado neste trabalho como substrato, usando como inóculo o fungo Aspergillus niger AN 400. O objetivo deste estudo foi verificar a síntese de proteína unicelular e ßgalactosidase pelo fungo, avaliando a simultânea redução do potencial poluidor desse resíduo. Para isso, inicialmente realizou-se um ensaio com três tipos diferentes de soro in natura (doce, ácido, salgado). O efeito sobre o metabolismo fúngico das diferentes condições de pH inicial e de extrato de levedura no soro de leite foi realizado no tempo de 120 h. Posteriormente, realizaram-se ensaios em até 192 h para estudar o tempo ótimo para a produção de proteína unicelular no soro sozinho e no soro enriquecido com glicose a 0,5 % e 1,0 %. Para os ensaios da síntese enzimática empregaram-se duas formas de crescimento da cultura: dispersa na ausência e na presença de glicose (0,5 %), e imobilizada em espuma de poliuretano de 0,3 cm3. Os resultados mostraram que o pH mais favorável ao crescimento celular do fungo foi de 3,0, enquanto que a maior atividade enzimática ocorreu em pH = 3,7 (0,06 U.mL-1). Durante os testes com suplementação de extrato de levedura, foi verificado o crescimento do fungo na forma filamentosa, maior rendimento celular, uma maior redução de DQO (69,57 %), elevado consumo de amônia, bem como uma maior atividade da enzima ßgalactosidase (0,15 U.mL-1) quando enriquecidos com 2 g.L-1 de extrato de levedura. As células produzidas na faixa de pH de 3,0 a 6,0 e nas diferentes concentrações de extrato de levedura apresentaram cerca de 30 % de proteína bruta, confirmando o elevado teor proteico da biomassa deste fungo. Na avaliação do tempo ótimo para a produção de proteína unicelular, verificado no tempo reacional de 72 h, no qual apresentou cerca de 40 % de proteína bruta, houve uma redução de até 58 % da DQO no final de 8 dias, ocorrendo a remoção de amônia em mais de 90 % em dois ensaios no final de 48 h. Nos ensaios para a síntese enzimática as atividades máximas de ß-galactosidase foram de 0,10 U.mL-1 e 0,15 U.mL-1 respectivamente no soro de leite e no soro acrescido de 0,5 % de glicose, no 5º dia, na cultura crescida livre. Na cultura imobilizada, a atividade máxima de ß-galactosidase foi de 0,22 U.mL-1, com remoção de compostos orgânicos de 85,2 % e açúcares redutores de 83,1%. Palavras-chaves: Soro de le
