Resumo
A formação inicial de professores de Química busca enfrentar o desafio contínuo de superar modelos de ensino puramente conteudistas e neutros, ao exigir abordagens que conectem o conhecimento científico à realidade social. Nesse cenário, o enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) passa a se apresentar como um caminho essencial para promover uma alfabetização científica crítica. Diante disso, o objetivo desta pesquisa é analisar as atitudes e concepções de licenciandos em Química acerca das relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), a partir de uma intervenção formativa desenvolvida no âmbito de uma disciplina de CTS. A investigação busca se justificar pela necessidade de avaliar em que medida uma disciplina específica contribui para a reorientação de valores e para a superação de visões neutras sobre a ciência na formação inicial docente. Para analisar esse processo, optou-se por adotar uma abordagem quanti-qualitativa, com delineamento de pré e pós-teste, de modo a permitir observar as oscilações e permanências nas percepções dos estudantes. A coleta de dados procurou envolver questionários estruturados baseados no Projeto Ibero-americano de Avaliação de Atitudes Relacionadas com a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade (PIEARCTS) e questões subjetivas para apreender a profundidade dos discursos, processados com o auxílio do software IRaMuTeQ. Os resultados quantitativos puderam evidenciar variações discretas nos Índices Atitudinais, de forma a sinalizar a complexidade da mudança atitudinal e a resistência de concepções prévias frente a intervenções pontuais. No campo qualitativo, os discursos tenderam a se centralizar em aplicações práticas e dilemas éticos, de modo a revelar, contudo, uma compreensão ainda assimétrica da tríade CTS, com ênfase na utilidade tecnológica em detrimento das implicações sociais. Tais evidências vêm demonstrar que o amadurecimento crítico dos futuros professores é um processo gradual que enfrenta resistências estruturais. Assim, o trabalho consegue evidenciar que a formação inicial em Química demanda espaços contínuos de reflexão que integrem as dimensões sociais e tecnológicas, ao superar modelos puramente técnicos para garantir uma alfabetização científica condizente com a prática docente
