Resumo
A crescente demanda por fontes de energia renováveis e a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa impulsionam o desenvolvimento do bioetanol de segunda geração (2G), obtido a partir de biomassas lignocelulósicas e resíduos agroindustriais, sem competição direta com a produção de alimentos. Entretanto, a recalcitrância estrutural da biomassa vegetal e o alto custo dos coquetéis enzimáticos ainda representam gargalos tecnológicos relevantes. Neste contexto, esta dissertação teve como objetivo investigar o potencial biotecnológico da microbiota simbiótica visceral do molusco marinho xilófago Neoteredo reynei (família Teredinidae) como fonte alternativa de microrganismos lignocelulolíticos aplicáveis à produção de etanol 2G. Os espécimes foram coletados no manguezal da Sabiaguaba, em Fortaleza–CE, ambiente estuarino caracterizado por intensa degradação natural de madeira. A metodologia incluiu a coleta e identificação do molusco hospedeiro, o isolamento da microbiota visceral em meios seletivos enriquecidos com celulose e bagaço de cana-de-açúcar, cultivo em meios sólidos e líquidos, avaliação qualitativa da atividade hidrolítica por cromatografia em camada delgada (CCD) e identificação molecular das linhagens por sequenciamento do gene 16S rRNA. Os resultados evidenciaram duas linhagens bacterianas com atividade lignocelulolítica, identificadas como pertencentes aos gêneros Bacillus e Lysinibacillus. As análises cromatográficas confirmaram a hidrólise da biomassa, com liberação de glicose, xilose e arabinose, indicando a degradação de celulose e hemicelulose. Embora a identificação molecular tenha apresentado alta similaridade, a limitação do marcador 16S rRNA impediu a confirmação em nível de espécie. Os resultados indicam elevado potencial biotecnológico dessas linhagens para aplicações futuras em biorrefinarias sustentáveis de etanol 2G industriais nacionais
