Resumo
A dança na escola, embora considerada um objeto de conhecimento, ainda se encontra restrita aos eventos institucionais. Tal enquadramento pode estar relacionado à falta de segurança pedagógica do/da professor/a, às condições na formação inicial e às barreiras apresentadas pelos alunos. Entretanto, infere-se que além desses e envolvidos com esses, há uma lógica marcada pela normatividade cultural de gênero e sexualidade, que pode estar determinando o trato que a dança obtém na escola, qual seja: resistência, preconceito e/ou discriminação. O estudo objetivou investigar as relações autobiográficas com a dança, o gênero e a sexualidade no processo de (auto)formação de professores que lecionam aulas de Educação Física no Ensino Médio. Desenvolveuse por meio de uma abordagem (auto)biográfica, de natureza qualitativa, com quatro professores/as de Educação Física que lecionam no Ensino Médio da rede estadual cearense, vinculados/as à Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (CREDE 10), Russas/CE, e situados/as na região do Vale do Jaguaribe. As narrativas (auto)biográficas foram coletadas a partir dos Círculos Reflexivos Biográficos (CRBs), encontros e permeados pela observação participante. A análise dos dados seguiu o trajeto analítico da Análise Textual Discursiva. Os resultados suscitaram dois metatextos: (1) Incursões normativas e subversivas em dança, gênero e sexualidade na trajetória anterior à docência, ressaltando que a religião, a família, as festividades da escola e a formação inicial, traduzem-se em espaços para experimentações das normas de gênero e sexualidade, como são lócus de marcos subversivos; e (2) Incursões desafiantes e possíveis em dança, gênero e sexualidade na prática docente, no qual, destaca desafios para o ensino da dança, contudo, entendem a importância de propiciar esse conteúdo nas aulas, porque problematiza as questões de gênero e sexualidade, e ainda, proporciona a construção de uma escola acolhedora, diversa e inclusiva. Ademais, foi elaborada uma cartografia pedagógica interativa, como produto educacional, para o ensino da dança na escola destituído de processos sociais generifcados. Deste modo, com as análises, interpretações e discussões, pode-se chegar à compreensão de que, a convivência em ambientes que inibem ou potencializam a experimentação com a dança a partir da presença com discursos e práticas sociais que revelam as normatizações ou as subversões de gênero e sexualidade, seja nas entrelinhas ou explicita
